Neil em entrevista ao The New York Times

Como o malvado Conde Olaf, que não tem muita higiene e tem um nariz aquilino em Desventuras em Série, Neil Patrick Harris pode facilmente ser um motivo de pesadelo – seu e de seus filhos. Afinal, Desventuras em Série, em que ele continuamente põe em perigo os órfãos Baudelaire – Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith) – querendo se apossar da herança deles, não é uma dinâmica familiar normal.

Kathryn Shattuck , The New York Times

Como o malvado Conde Olaf, que não tem muita higiene e tem um nariz aquilino em Desventuras em Série, Neil Patrick Harris pode facilmente ser um motivo de pesadelo – seu e de seus filhos. Afinal, Desventuras em Série, em que ele continuamente põe em perigo os órfãos Baudelaire – Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Hynes) e Sunny (Presley Smith) – querendo se apossar da herança deles, não é uma dinâmica familiar normal.

Mas a malvadeza e a perversidade são surpreendentemente divertidas. “Estamos longe de ser amigos, mas me agrada a ideia de uma criança de 10 anos e um adulto de 40 assistirem à mesma cena e desfrutarem do que estão vendo por motivos diferentes”, diz ele, referindo-se à linguagem e temática da série. “A sensação é que estamos fazendo algo que, dentro da sua imundície e cinismo, é bom.”

Baseada nos romances maravilhosamente macabros de Daniel Handler, conhecido por seu heterônimo Lemony Snicket, a série, cuja segunda temporada começou na Netflix, deve terminar depois da terceira, com o último da coleção de 13 livros. O que dará a Harris, 44 anos, uma indicação múltipla para o Emmy como o sedutor Barney, na série da CBS How I Met Your Mother e um prêmio Tony como o transgênero roqueiro alemão em Hedwig – Rock, Amor e Traição – mais tempo para ficar com sua família: seu marido David Burtka e seus dois filhos de 7 anos, Gideon e Harper, que vivem em Nova York enquanto ele filma em Vancouver.

E os gêmeos têm permissão para assistir a seu pai no trabalho. “Não é o conteúdo perfeito, pois é bem sinistro – muitas crianças recebendo tapas e pessoas fumando e tentativas de assassinar adolescentes”, disse ele. “Não sei se essa seria uma conversa para se ter na hora do jantar, mas para nós é um pouco diferente.”

Abaixo alguns trechos da conversa com Neil Patrick Harris.

Em que ponto estamos no caso das atribulações de Baudelaire?

As crianças ainda estão tentando fugir do Conde Olaf e a única diferença é que ambos cresceram cerca de 7 cm e rapidamente notamos como estão mais altos. E há mais ação. Os Baudelaires, nos primeiros livros, vão de um local para outro, de um protetor para outro, e nesse ponto percebem que estão sós no mundo e têm de se safar de Olaf e ficar unidos.

Você está irreconhecível como Olaf. Quanto tempo gasta na maquiagem?

Duas horas e meia. Começo na seção de maquiagem de efeitos especiais, onde coloco as próteses. Tenho uma grande peça na frente do rosto que cobre minhas sobrancelhas e um nariz que se prolonga, e então eles o pintam para ficar no tom da minha pele. São feitos os retoques, colocando as rugas e as manchas, as bolsas sob os olhos. Depois colocam uma sobrancelha única, que cobre as duas costeletas, uma barbicha e uma peruca. Por fim, visto a roupa e estou pronto.

Ufa!

Todo esse tempo para me transformar em Olaf é pouco se comparado com o trabalho que Louis e Malina têm. Estão no set, ensaiando suas cenas, aprendendo os diálogos, e depois correm para a escola. Logo alguém bate na porta, eles param seus estudos e voltam a recitar os diálogos. Isso se repete o dia todo.

Recentemente você alugou um cinema em Albuquerque, sua cidade natal, onde os moradores agora podem ver Love Simon gratuitamente.

É um filme sobre um aluno gay que tem medo de sair do armário e se apaixonar, que me comove pela pureza. Não é como Brokeback Mountain, tem a ver mais com Sixteen Candles. Consegui 111 pessoas para ver o filme e espero que elas tenham se comovido e convidado seus amigos para vê-lo também.

Você também apresenta na NBC o programa Genius Junior.

Ele trata de crianças que fazem coisas extraordinárias, que conseguem soletrar e lembrar as cartas misturadas de um baralho. Se for possível despertar aspirações e inspirar outras crianças e também entreter, então fico feliz em ser o mestre de cerimônia desse circo.

Isso dá vontade de ir para casa e fazer perguntas para Harper e Gideon?

Tive que me converter nesse tipo de pai que quer que eles reconheçam que a leitura, a escrita não são algo que fazem por uma hora para depois ir brincar. Estou sempre em cima deles para que soletrem certo. Está na hora. / Tradução de Terezinha Martino

Fonte: Estadão Cultura